terça-feira, 15 de abril de 2014

Tireoidite de Hashimoto: o que é e como tratar?

 

A tireoidite de Hashimoto é o tipo mais comum de tireoidite e uma das mais comuns doenças endocrinológicas. Também é conhecida por tireoidite crônica, tireoidite linfocítica, bócio linfadenóide e tireoidite auto-imune.

A doença geralmente apresenta-se sem dor, com aumento da glândula tireoideana, principalmente em mulheres jovens ou de meia-idade. Sabe-se hoje que é uma doença de natureza auto-imune que tem como alvo a glândula tireoideana e apresenta comprometimento familiar, podendo atingir várias gerações de uma mesma família. A presença de anticorpos contra a tireóide faz parte do seu diagnóstico e sua presença tem forte componente genético.

Ela é mais comum em mulheres com incidência de sete mulheres para cada homem e evolui com muita freqüência para hipotireoidismo devido à perda de células produtoras do hormônio. Esta evolução lenta pode ser de poucos meses, até vários anos e não há medicação capaz de impedir sua evolução. Em crianças esta doença é rara.

Apresentação clínica

Geralmente se apresenta como bócio (aumento de volume da tireóide), sem dor, acompanhado ou não de hipotireoidismo desde seu início. O aumento da tireóide é difuso podendo atingir de duas a três vezes o tamanho normal. Este bócio pode permanecer sem alterações por décadas com evolução lenta. Raramente pode apresentar dor espontânea ou à palpação da glândula.

Os sintomas clínicos iniciais podem ser devido ao aumento no sangue dos hormônios tireoideanos que ocorre pela inflamação da tireóide, mas a maioria não apresenta sintomas ou apenas hipotireoidismo leve que pode passar despercebido para o paciente e seus familiares. Já os sintomas de hipotireoidismo moderado e grave ocorrem anos após o diagnóstico.

Diagnóstico

Para o diagnóstico de tireoidite de Hashimoto consideramos tanto a história clínica quanto os exames laboratoriais. Na história clínica o médico considera os sintomas, uso de medicações, doenças anteriores e história familiar de doença tireoideana. Nos exames laboratoriais consideramos as dosagem de hormônios  tireoideanos (T3 –T4 – T4 livre), o produzido pela hipófise (TSH fica alto quando a tireóide está insuficiente), e os auto-anticorpos tireoideanos: antimicrossomais (também chamados anti TPO), e antitireoglobulina.

A ultrassonografia da tireóide é usada para avaliarmos estrutura e tamanho da glândula e também para a pesquisa de nódulos tireoideanos. Geralmente a tireóide está aumentada com textura normal ou heterogênea podendo apresentar áreas que sugerem nódulos de limites imprecisos.  Em caso de presença de nódulos ou áreas suspeitas pode ser solicitada a punção para confirmar o diagnóstico. No passado era feita a captação com iodo radioativo mas não é muito utilizada.

Tratamento

Pacientes com hipotireoidismo clínico devem ser tratados com o hormônio da própria tireóide (Levotiroxina ou T4). Devemos ajustar a dosagem do medicamento até que se obtenha a normalização do TSH elevado. Para melhor absorção da medicação deve-se usá-la sempre pelo menos 30 minutos antes de ingerir o alimento da manhã.

A presença de auto-anticorpos sem a alteração dos níveis hormonais e clínicos não necessita tratamento.  Nestes casos devemos fazer monitorização periódica dos hormônios para iniciar o tratamento com Levotiroxina assim que necessário.  Durante a gestação geralmente há a necessidade de aumento da dose da Levotiroxina em 25% a 50%.

Pacientes portadores de bócio podem ser tratados com Levotiroxina mesmo sem ter alterações hormonais. Pode ocorrer a redução do tamanho da tireóide após alguns meses de tratamento desaparecendo a sensação de pressão no pescoço.

Dr. Sergio Gomez
Endocrinologista
CREM 83880

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