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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Petrobrás ameaça a levar o Brasil à recessão, diz NYT


Para o The New York Times, crise da estatal provoca onda de inadimplência de empresas em uma onda que pode agravar o quadro da já estagnada economia brasileira

As acusações de corrupção na gigante brasileira do petróleo, Petrobrás, controlada pelo governo, já levaram a um escândalo político e à troca da diretoria. Agora, os problemas ameaçam outras empresas brasileiras e podem até levar o país a uma recessão.

Seria difícil exagerar ao descrever a importância da Petrobrás para o País. A empresa produz mais de 90% do petróleo brasileiro, é dona de todas as refinarias nacionais, opera mais de 34 mil km de oleodutos, domina a distribuição de gasolina e diesel no atacado, e é até dona da maior rede de postos de gasolina.

“O plano do governo consistia em tornar a Petrobrás tão grande quanto possível”, disse Samuel Pessoa, economista da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Ele estimou que a empresa seria responsável por um décimo da produção econômica do Brasil, por meio de suas operações próprias e terceirizadas.

Na esteira da investigação policial, chamada Operação Lava Jato, revelando que fornecedores e prestadores de serviços da Petrobrás teriam subornado executivos em troca de contratos superfaturados, a empresa suspendeu os pagamentos a muitos projetos. A Petrobrás também proibiu o estabelecimento de novos contratos com algumas das maiores empresas de engenharia e petroquímica do País.

A queda nos gastos da empresa deve eliminar 0,75% do crescimento esperado para a economia brasileira este ano, disse Pessoa – o bastante para empurrar uma economia letárgica para uma leve recessão.

As jogadas da empresa também ameaçam o faturamento dos prestadores de serviços e terceirizados, que são atingidos duplamente: seu fluxo de dinheiro caiu muito e a crise significa que não podem emprestar dinheiro para aliviar o aperto.

Os problemas da Petrobrás estão também se espalhando para os mercados de capitais do Brasil.

Em decorrência das incertezas em relação ao valor revisado que a empresa terá de atribuir aos seus ativos e bens por causa da corrupção, a auditora da Petrobrás, Pricewaterhouse Coopers, se recusou a assinar a divulgação dos rendimentos trimestrais.

Sem o relatório trimestral de rendimentos assinado pela auditoria, a Petrobrás, com dívida líquida de US$ 110 bilhões, não pode recorrer ao mercado global de obrigações.

Como a Petrobrás era vista como uma das melhores empresas para se investir, suas obrigações costumavam servir como referência para todas as empresas brasileiras. Sem essa referência, outras empresas brasileiras estão simplesmente evitando o mercado de obrigações.

As empresas locais venderam US$ 37 bilhões em obrigações globais no ano passado, de acordo com a Dealogic. Desde novembro, quando a Petrobras deixou de apresentar os rendimentos trimestrais aprovados pela auditoria, nenhuma emissão de títulos de dívida foi feita por empresas brasileiras.
Janeiro costuma ser um mês positivo para a venda de obrigações por parte das empresas brasileiras. Em janeiro de 2014, essas vendas tiveram volume de quase US$ 6,5 bilhões.

“Algumas empresas com balanço patrimonial sólido ainda podem vender títulos de sua dívida, mas pagariam por isso mais do que antes e, por isso, evitam essa opção. Há outras empresas que realmente precisam captar o dinheiro agora, e não conseguem fazê-lo”, disse Marcel Kussaba, diretor de pesquisas em equity e dívidas da firma brasileira de gestão de bens Quantitas.

Uma empresa contratada pela Petrobrás, Alumini, já entrou com pedido de recuperação judicial sob proteção do tribunal, alegando que a Petrobrás deveria à empresa R$ 1,2 bilhão, ou US$ 420 milhões.

A quinta maior empresa de engenharia do país, OAS, e uma das principais prestadoras de serviços à Petrobrás, ficou inadimplente no pagamento das obrigações e tenta negociar com os credores para evitar a falência. A OAS tem dívida de R$ 7,9 bilhões, ou US$ 2,8 bilhões, incluindo quase US$ 1,8 bilhão em obrigações, muitas delas pertencentes a investidores estrangeiros.

A empresa de perfuração Sete Brasil diz estar em negociações com bancos estatais para captar US$ 4,5 bilhões e manter-se em funcionamento. Como OAS e Alumini, a Sete Brasil está sob investigação, acusada de transferir dinheiro de contratos superfaturados a políticos e executivos da Petrobrás e, por isso, o empréstimo pode ser impossível.

A Sete Brasil deve US$ 4,3 bilhões aos bancos. Entre os proprietários da empresa há três bancos, entre eles o BTG Pactual, dono da maior participação, 27%. Os donos da empresa investiram outros US$ 3 bilhões, mas, como tais investimentos costumam se dar por meio de instrumentos que envolvem investidores, a exposição dos bancos pode ser menor.

Se a Sete Brasil pedir concordata, as empresas contratadas para construir suas instalações também serão afetadas.
Problemas semelhantes são esperados em todo o setor de construção e energia enquanto os prestadores de serviços à Petrobrás – em muitos casos, empresas imensas – cortam gastos, por mais que evitem a falência.

“Veremos o fechamento de muitas empresas do setor”, disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro para a Infraestrutura. Outras terão de vender ativos e bens para sobreviver.

“Por causa da Operação Lava Jato, haverá setores específicos, particularmente na infraestrutura, nos quais veremos mais fusões e aquisições esse ano”, disse Antonio Pereira, diretor de investimentos bancários do Goldman Sachs no Brasil.

De acordo com Pereira, aeroportos e rodovias devem estar entre os bens postos à venda.

Enquanto os bancos de investimentos buscam formas de lucrar orientando as fusões e aquisições, outros bancos podem ser prejudicados.
O Banco do Brasil, maior do país e controlado pelo Estado, tem 11% de seu portfólio de empréstimos no setor da energia, construção e setores ligados, de acordo com estudo do banco de investimentos Brasil Plural. Assim como os demais grandes bancos brasileiros, o Banco do Brasil não é tido como ameaçado por concordata porque possui reservas substanciais e um fluxo de renda diversificado, bem como o apoio implícito do governo. Mas alguns dos bancos menores estão em situação vulnerável.

Citando uma exposição desproporcional do Banco Pine às empresas de construção, em janeiro a Moody’s rebaixou a nota de sua dívida, considerada tóxica, e alertou para futuros rebaixamentos.

“Não espero que algum banco seja obrigado a pedir recuperação judicial por causa da Operação Lava Jato”, disse João Augusto Salles, analista do setor financeiro da consultoria Lopes Filho, do Rio de Janeiro, “mas talvez algumas instituições bancárias tenham de ser vendidas a outras, maiores”.

O primeiro desafio da Petrobrás é calcular o desconto que deve ser aplicado ao valor de seus ativos em decorrência da corrupção para, com isso, divulgar um balanço patrimonial aprovado pela auditoria. Se a empresa não o fizer até junho, os credores de seus US$ 54,5 bilhões em obrigações podem exigir o pagamento imediato.

A maioria dos analistas afirmou que tal situação seria improvável e, mesmo se ocorresse, não significaria que a empresa declararia moratória em suas obrigações. Se há no Brasil uma empresa considerada grande demais para falir, essa é a Petrobrás.

“Achamos que o governo intercederia ou pressionaria os bancos locais a oferecer o financiamento necessário”, disse Brigitte Posch, diretora de dívidas corporativas em mercados emergentes da Babson Capital, dona de obrigações da Petrobrás. “A empresa é importante demais para o Brasil”.

Fonte: Estadão.com


 

 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Registramos recorde de produção diária e superamos patamar de 700 mil barris/dia operados no pré-sal

 

23.Dez.2014

Leia o comunicado que divulgamos nesta terça-feira (23/12):

A Petrobras informa que bateu um novo recorde histórico de produção própria diária de óleo e LGN no último dia 21/12, quando produziu 2 milhões 286 mil barris. O volume produzido não considera a parcela de seus parceiros e supera o recorde anterior de 2 milhões 257 mil barris, alcançado no dia  27/12/2010.

A Petrobras também bateu recorde diário de produção operada no dia 21/12, tendo produzido 2 milhões 470 mil bpd.

O novo patamar histórico decorre principalmente da contribuição de nove sistemas de produção. Cinco deles começaram a operar em 2013 e tiveram novos poços interligados ao longo de 2014. Outros quatro sistemas de produção foram instalados este ano.

Das plataformas instaladas em 2013, contribuíram para esse resultado a P-63, no campo de Papa-Terra, e P-55, no campo de Roncador, ambas na Bacia de Campos; o FPSO Cidade de Itajaí, em Baúna, no pós-sal da Bacia de Santos; além dos FPSOs Cidade de São Paulo, no campo de Sapinhoá, e Cidade de Paraty, na área de Lula Nordeste - ambos no pré-sal da Bacia de Santos.

Os sistemas de produção que entraram em operação em 2014 e que colaboraram para o desempenho foram a P-58, no Parque das Baleias, e P-62, no campo de Roncador, na Bacia de Campos; e os FPSOs Cidade de Mangaratiba, na área de Iracema Sul, e Cidade de Ilhabela, na de Sapinhoá Norte, ambos no pré-sal da Bacia de Santos.

A alta eficiência operacional dos campos localizados nas porções fluminense e capixaba da Bacia de Campos, como resultado do Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef), também contribuiu com o recorde. Essas áreas têm mantido a produção sustentável, diante do declínio natural dos reservatórios. Cabe destacar também a alta eficiência operacional e a  manutenção da estabilidade da produção nas Unidades Operacionais do Norte e Nordeste do país, que praticamente compensaram todo o declínio natural dos campos maduros da área.

Com a chegada de novas embarcações do tipo PLSV (Pipe Laying Support Vessel) e com a redução do tempo não produtivo dessas unidades - fruto das ações do PRC-Sub -, a companhia interligou 68 novos poços - produtores e injetores - até novembro de 2014, o que já se constitui em um número bem superior aos 45 poços interligados ao longo de todo ano de 2013.

Produção operada pela Petrobras no pré-sal bate novo recorde e ultrapassa o patamar de 700 mil barris de petróleo por dia

A produção de petróleo nos campos operados pela Petrobras na província do pré-sal das bacias de Santos e Campos atingiu a marca histórica de 700 mil barris de petróleo por dia (bpd) no dia 16 de dezembro de 2014. Desse volume, cerca de 74% (523 mil bpd) correspondem à parcela da companhia e o restante à das empresas parceiras nas diversas áreas de produção da camada  pré-sal.

A produção de 700 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos depois da primeira descoberta de petróleo na camada pré-sal, ocorrida em 2006, e apenas seis meses após a marca dos 500 mil barris, obtida em junho. Essa produção representa uma marca extremamente significativa na indústria do petróleo, especialmente diante do fato de os campos se situarem em lâminas  d'água profundas e ultraprofundas.

O patamar de 700 mil bpd foi conseguido com a contribuição de somente 34 poços produtores. Isso evidencia a elevada produtividade dos campos já descobertos na camada pré-sal. Desses poços, 16 estão localizados na Bacia de Santos, que responde por cerca de 61% do volume produzido no pré-sal – aproximadamente 429 mil barris por dia. Os demais 18 poços estão localizados no  pré-sal da Bacia de Campos e respondem pelos 39% restantes da produção – cerca de 273 mil barris por dia.

Atualmente, o petróleo do pré-sal é produzido por 12 diferentes plataformas, oito delas produzindo exclusivamente naquela camada geológica.

O aumento da produção deve-se, também, ao excelente desempenho operacional das atividades de construção e interligação de poços, com suporte dos programas estratégicos PRC-Poço (Programa de Redução de Custos em Poços) e PRC-Sub (Programa de Redução de Custos em Sistema Submarinos). Esses programas integram iniciativas que vêm incorporando  melhorias contínuas na redução da duração e dos custos não só de poços, como também de instalações submarinas dos projetos de E&P.