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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Álcool mata mais que obesidade e tabagismo

 

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Se pensarmos nos piores assassinos do mundo, pode ser que não nos lembremos do álcool. Ainda assim, ele mata mais de 2,5 milhões de pessoas por ano, mais que Aids, malária ou tuberculose.

Para pessoas com renda média, que constituem metade da população mundial, o álcool é o maior fator de risco para a saúde: pior que a obesidade, a inatividade e o tabagismo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) documentou com detalhes a extensão do abuso de álcool nos últimos anos e já publicou recomendações consistentes sobre como reduzir mortes relacionadas à substância, mas isso não é suficiente, segundo Devi Sridhar, especialista em políticas de saúde na University of Cambridge.

Em um comentário feito na Nature, Devi argumenta que a OMS deve regular o álcool a nível mundial, impondo regulamentos como idade mínima para beber, tolerância zero para embriaguez ao volante e proibição de bebidas especiais ilimitadas. Respeitar os regulamentos seria obrigatório para os 194 Estados membros da OMS.

Longe de proibir, a regulamentação da OMS forçaria as nações a fortalecer leis fracas sobre bebidas e aplicar melhor as leis já em vigor, aponta Devi.

Quase uma garrafa por dia

O consumo de álcool é medido em termos de álcool etílico puro para compensar as diferenças de teor na cerveja, vinho e destilados. Uma garrafa de vinho de um litro com 10% de álcool, por exemplo, representaria apenas 0,1 litro de álcool puro. Segundo a OMS, cada americano toma, em média, 9,4 litros de álcool etílico por ano, que equivalem a 94 garrafas do vinho citado acima.

Embora possa parecer muito, os americanos nem chegam perto dos 50 maiores consumidores mundiais. A Europa, especialmente a Europa Oriental, domina a cena. A Moldávia encabeça a lista, com 18,4 litros de álcool per capita por ano. Isso equivale a 184 garrafas de vinho de um litro ou quase quatro garrafas semanais por pessoa. A idade legal para beber na Moldávia é 16 anos e há poucas restrições sobre quando ou onde o álcool pode ser vendido.

O preço do abuso de álcool é a morte prematura. Um em cada cinco homens da Federação Russa e de países europeus vizinhos morre em consequência do álcool, segundo dados da OMS. O abuso de álcool está associado a doenças cardiovasculares, cirrose do fígado, cânceres diversos, violência e acidentes de veículos. Adultos alcoólatras têm ainda dificuldade de trabalhar e sustentar suas famílias.

Recomendações sensatas

Devi argumenta que a OMS é a única entre as organizações de saúde que pode criar convenções juridicamente vinculadoras. A OMS fez isso apenas duas vezes em sua história de 64 anos: o Regulamento Sanitário Internacional, que exige que países reportem certos surtos de doenças e eventos de saúde pública, e a Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, que obriga os governos a modificar leis para reduzir a demanda e a oferta de tabaco.

Nenhuma outra entidade pode atacar o problema mundial do abuso de álcool, disse ela. Quando se trata de álcool, no entanto, a OMS estabelece meras recomendações, como as descritas em 2010 na Estratégia Global da OMS para reduzir o uso nocivo do álcool.

“Os países estão cientes do problema, mas vários não se comprometeram realmente com a implementação das recomendações”, lamentou Devi à LiveScience. “O problema não é com os ministérios da saúde, mas com os das finanças e do comércio, por exemplo, que priorizam outros interesses.”

Em seu comentário na Nature, Devi avaliou que as atuais recomendações da OMS poderiam servir como base para uma nova convenção internacional sobre a regulamentação do álcool. Os Estados Unidos lutam para cumprir várias das dez áreas-alvo recomendadas, que incluem restrições à publicidade, elevações de preços e leis mais duras contra a embriaguez na condução de veículos.

“Com a sustentação da OMS, os ministérios da saúde teriam uma posição mais forte de negociação doméstica para priorizar a regulação do álcool acima de interesses econômicos”, defende Devi.

Fonte: Scientific American Brasil

 

Álcool mata mais que obesidade e tabagismo - Alcoolismo 2014-04-17 08-10-45

 

Acidentes/Doenças/Alcoolismo/Dados

 

Há uma grande variedade de bebidas alcoólicas espalhadas pelo mundo, fazendo do álcool a substância psicoativa mais popular do planeta. Obtido por fermentação ou destilação da glicose presente em cereais, raizes e frutas, o etanol (ou álcool etílico) é consumido exclusivamente por via oral. O Brasil detém o primeiro lugar do mundo no consumo de destilados de cachaça e é o quinto maior produtor de cerveja da qual, só a Ambev, produz 35 milhões de garrafas por dia.

O álcool é a droga preferida dos brasileiros (68,7% do total), seguido pelo tabaco, maconha, cola, estimulantes, ansiolíticos, cocaína, xaropes e estimulantes, nesta ordem. No País, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas, acontecem devido ao álcool. Motoristas alcoolizados são responsáveis por 65% dos acidentes fatais em São Paulo.

O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350 doenças (físicas e psiquiátricas) e torna dependentes da droga um de cada dez usuários de álcool.

O álcool é a droga que mais detona o corpo (tanto quanto a cocaína e o craque); a que mais faz vítimas; e é a mais consumida entre os jovens no Brasil. O índice de câncer entre os bebedores é alarmante, quer por ação tópica do próprio álcool sobre as mucosas, quer por conta dos aditivos químicos de ação cancerígena que entram no processo de fabricação das bebidas.

Síndrome alcoólica fetal (SAF) é o termo utilizado para descrever os efeitos comumente observados nos filhos de mães alcoólatras: tamanho pequeno, face anormal, outras anormalidades físicas e retardo mental. Ocorrência: 1 a 2 casos por mil nascidos vivos.

Consequências Físicas do Uso em Excesso

  • acidentes (no lar, no serviço e nas estradas);
  • alterações no sangue (hemorragias, hepatite e outras);
  • ossos e articulações (ácido úrico elevado, degeneração dos ossos e outros);
  • lesão cerebral (síndrome de Wernicke-Korsakoff, degeneração cerebelar, ambliopia);
  • câncer (na boca, esôfago, estômago, fígado e outros);
  • pulmão (pneumonia, tuberculose e outros problemas);
  • epilepsia;
  • síndrome fetal (vide parágrafo anterior);
  • coração (arritmias, cardiopatia, hipertensão e doença coronariana);
  • lipemia;
  • hipoglicemia;
  • fígado (cirrose hepática e outras doenças);
  • miopatia;
  • pancreatite;
  • neuropatia (ou neurite) periférica);
  • sexo (disfunção testicular e impotência); e
  • esôfago e estômago (efeitos corrosivos diretos do álcool sobre estes órgãos como: gastrite, úlcera péptica, esofagite e síndrome de Mallory-Weiss).

FONTE: Revista Plantão Médico - Drogas, Alcoolismo e Tabagismo, Editora Biologia e Saúde, Rio de Janeiro, 1998, pág.67.

Outros Dados sobre o Álcool

  • É preciso saber que o álcool é a porta de entrada das drogas !.
  • A idade em que o adolescente começa a tomar álcool está cada vez menor, com a média atual em 13 anos.
  • As causas do alto número de pessoas dependentes de bebidas alcoólicas no Brasil deve-se, principalmente, à cultura nacional. A cerveja, p.ex., é aceita como uma bebida tradicional e a cachaça é conhecida como "caninha da roça", "bebida de macho" e outros slogans.Você bebe no frio para esquentar e no calor para esfriar.
  • Para acabar com o vício, o usuário de álcool precisa ter consciência do problema que está enfrentando e o desejo de se livrar dele. Isso pode ser feito através da desintoxicação em Clínicas Especializadas e com o indispensável apoio e compreensão da família.
  • Em geral, nosso fígado leva uma hora para processar 30 gramas de álcool (aproximadamente uma latinha de cerveja).
  • O álcool interfere no processo de concentração no trabalho e os alcoolistas estão justamente na faixa de maior produtividade do indivíduo (entre 25 e 45 anos).
  • O álcool é responsável pela maioria dos acidentes de trânsito, porque altera a percepção do espaço, do tempo e a capacidade de enxergar bem.
  • O alcoolismo é uma doença crônica, incurável e progressiva, que mina o organismo, atacando todos os seus órgãos.
  • Pesquisa realizada em 5 capitais brasileiras revelou que 45% dos jovens entre 13 e 19 anos envolvidos em acidentes haviam ingerido bebida alcoólica.
  • O consumo global, expresso em g/kg peso corporal, multiplicado por anos de bebida, fornece um elemento preciso de previsão da incidência de cirrose hepática.
  • A lesão hepática é a consequência (a longo prazo) mais séria do consumo excessivo. Ocorre um aumento do acúmulo de gordura (fígado gorduroso), que progride para uma hepatite (inflamação do fígado) e termina com necrose e fibrose hepáticas irreversíveis.
  • Por não apresentar cargas elétricas e por ser altamente solúvel em gorduras, é rapidamente absorvido pelo organismo. Uma quantidade apreciável é absorvida já no estômago. Ingerido com o estômago vazio, produz um efeito muito maior.
  • Cerca de 90% do álcool é metabolizado no corpo e 5 a 10% é excretado (sem modificações) no ar expirado e na urina. Essa fração serve de base para a estimativa das concentrações sanguíneas de etanol por dosagens na respiração (bafômetro) ou na urina.
  • Admite-se que a proporção entre as concentrações de etanol no sangue e nos pulmões seja de 21%, ou seja, 1 mg de sangue contém uma quantidade de álcool equivalente à que contém 2,1 litros de ar dos pulmões. A concentração na urina é mais variável e fornece uma medida menos precisa das concentrações sanguíneas.
  • A taxa de eliminação do etanol do organismo praticamente independe de sua concentração no sangue e corresponde, no homem, a cerca de 0,1 g/kg peso.hora ou cerca de 10 ml/h em uma pessoa normal.
  • Os alcoólatras são difíceis de se anestesiar com drogas como o Halotano.

UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 2014-04-17 08-20-25

sexta-feira, 28 de março de 2014

Os Washingtonianos

 

Na tarde de 02 de abril de 1840, quase cem anos antes do nascimento de A.A., seis companheiros de bebedeiras se reuniram em um botequim da cidade de Baltimore, Estado da Virgínia, nos Estados Unidos da América.

Quanto mais bebiam, mais falavam sobre o tema da temperança, que era um dos assuntos mais populares da época. Essa reunião, assim como os encontros posteriores, deram origem à formação, para a curta mas espetacular existência do Movimento dos Washingtonianos, que chegou a contar com mais de 400.000 membros "alcoólicos recuperados", para poucos anos depois, da noite para o dia, desaparecer totalmente.

A história do Movimento dos Washingtonianos demonstra nitidamente, a importância das Doze Tradições de A.A. como guia de comportamento para os nossos grupos e organismos de Serviço, montadas que foram para proteger-nos de um destino semelhante. O hábito de desprezar nossas Tradições, ou de ignorá-las, nos legou, pelo menos, alguma marca negativa em nosso inventário.

Até a já mencionada reunião de 1840, prevalecia a opinião de que nada era possível fazer pelos doentes do alcoolismo e, mesmo as palavras "alcoólico" ou "alcoolismo", não era de uso comum. Os poucos casos conhecidos de recuperação de alcoólicos, não influíam no pessimismo geral sobre as
possibilidades de recuperação. E, como se acreditava que o álcool era a causa do alcoolismo, muitos movimentos de temperança, então existentes, orientavam sua atuação no sentido de evitar que os não-alcoólicos no alcoolismo ingressassem. Seu lema era:

"Mantenhamos sóbrios os sóbrios; os bêbados que morram e nos deixem em paz".

Em 05 de abril de 1840 os seis companheiros já referidos, novamente sereuniram no mesmo botequim, ao redor de uma garrafa de bebida alcoólica e, alegremente, brindaram as virtudes da temperança, enquanto condenavam a maldição do alcoolismo.

Embora existisse um bom número de Grupos de Temperança, nenhum deles parecia interessar a esses seis companheiros. Como bons bebedores que eram, decidiram formar seu próprio grupo; elegeram-se diretores e firmaram uma promessa de total abstinência, com o seguinte texto:

"Nós, cujas assinaturas aqui constam, com o propósito de constituir, para o nosso próprio benefício e para proteger-nos de costumes perniciosos que são prejudiciais à nossa saúde, à nossa reputação, às nossas famílias, nos comprometeremos, como cavalheiros, a não ingerir qualquer bebida alcoólica, nem licores, nem vinhos de cidra".

Escolheram o nome Sociedade de Temperança Washington, em homenagem a George Washington, estabelecendo uma cota de inscrição em dinheiro, junto com uma contribuição mensal. Com calorosos abraços se despediram, ficando combinado que, cada um deles, traria um novo sócio ao botequim para a próxima reunião. E se mantiveram sóbrios.

Como resultado do crescimento do número de associados e, devido às solicitações desesperadas do dono do botequim, o grupo decidiu alugar uma sala e, ao mesmo tempo, tornar habitual as reuniões semanais.

Nessas reuniões desenvolveram um método único de procedimento, onde cada orador contava sua própria história, calcada no seguinte:

"Como era eu; o que me aconteceu e, como sou agora".

Esta idéia obteve sensacional aceitação, contribuindo para enorme e rápido crescimento ao Movimento. A abstinência total parecia um milagre.

Em novembro de 1840, realizaram sua primeira reunião pública. Os jornais deram ampla cobertura ao acontecimento nas reportagens incluindo o nome completo dos fundadores. A quantidade de público fora tão grande, que só havia poucos lugares de pé. Tanto aos alcoólicos, como os não-alcoólicos; a todos os que se comprometiam à total abstinência; deu-se boas-vindas ao Grupo.

Uns cinco meses mais tarde, o Movimento Washingtoniano declarava constar de seus quadros mais de 1000 alcoólicos recuperados e uns 5000 membros indecisos quanto à conclusão se eram, ou não, alcoólicos, mas que já haviam se comprometidos a manter uma abstinência absoluta, bem como outros 1000 que defendiam uma temperança total, em todos os sentidos e que viam com muito entusiasmo o crescimento da cruzada dos Washingtonianos.

Como bons e entusiasmados propagandistas que eram, os membros organizaram e participaram de um espetacular desfile, com banda de música, balizas, estandartes, que foi presenciado por mais de 40.000 pessoas em Baltimore. Após o desfile, houve uma grande reunião ao ar livre para pulgação de sua mensagem do "12º Passo". Diziam;

"Alcoólico, venha até nós. Você pode se recuperar. Ainda esta manhã estivemos com um homem que se recuperou já faz 4 semanas e estava feliz com a sua abstinência. Não desprezamos os alcoólicos, amamo-nos, guiamos, assim como uma mãe guia seus filhos nos primeiros passos".

As lágrimas caíam copiosamente sobre a mesa da secretária, na medida em que centenas de pessoas subiam ao palanque para assinar seus compromissos de total abstinência. A atmosfera emocional estava saturada de uma contagiante esperança. Os grupos religiosos aceitaram seu programa.

Samuel F. Holbrook, o primeiro Presidente da Sociedade, explodia em altas palavras, com relação ao papel desempenhado por Deus na recuperação dos alcoólicos. Dizia:

Ao cambaleante alcoólico que encontramos na sarjeta, ou retiramos de seu meio, damos apoio, falamos como amigos, levamos às nossas reuniões. Em nosso grupo ele se encontra rodeado por novos amigos, não do que mais temia, a polícia. Todos lhe estendem as mãos; começa a recuperar-se e, quando já se sente sóbrio, assina o compromisso de manter-se abstêmio e volta à rua como um homem recuperado. E seu caso não termina aí, ele cumpre a sua promessa e, dentre seus companheiros de bebedeiras, logo trás outros que, de sua parte, assinarão o mesmo compromisso, trarão outros. Esses são fatos positivos que se pode constatar.

Então pergunto: - Pode algum movimento da humanidade demonstrar isso por si só? A minha resposta é um redondo "NÃO". Nós temos o testemunho invariável de um vasto número de homens recuperados que dizem publicamente que dizem publicamente que haviam deixado de beber persas vezes para, logo a seguir, recair nas bebedeiras e, entendem que, seu atual comportamento, deriva da total confiança da força desta nova decisão, sem qualquer preocupação de olhar um pouco mais alto. Depois, sentem que, necessitam da ajuda de Deus que, uma vez conseguida torna a recuperação completa. Louvado seja Deus".

Não foi possível manter os milagres dos Washingtonianos dentro de seus limites geográficos. Seus membros estavam convencidos de que deles dependiam o socorro para os mais aflitivos casos; os alcoólicos recuperados e em atividade dentro do Movimento comprovaram, com seus exemplos, que
podiam ajudar aos alcoólicos e estavam possuídos de uma extraordinária disposição de levar sua mensagem. Depois, essa campanha se ampliou no sentido de evitar o mesmo sofrimento, pela persuasão, aos ainda não atingidos pelo alcoolismo, objetivando que prosseguissem com a sobriedade através de uma total abstinência. Os líderes mais influentes do Movimento eram de opinião de que necessitavam de bons "vendedores" para espalhar a mensagem de prevenção e, os membros dos Grupos Washingtonianos, proporcionaram uma vasta relação de pessoas disponíveis.

A cidade de Nova Iorque lhes serviu de cenário. Em março de 1842, Washingtonianos e espectadores se reuniram na igreja da Rua Gren; no transcurso do primeiro discurso, um jovem que estava no auditório se levantou cambaleando e disse: - "Não haverá alguma esperança para mim? Deus do céu, não haverá esperança? Vocês podem me ajudar?". O ajudaram a chegar até o palco e, ali mesmo, manifestou sua vontade de assumir o compromisso, partir de então, de absoluta abstinência.

Outros o seguiram; uns jovens como ele; outros, de cabeças grisalhas. Os Washingtonianos receberam a todos eles e, uma organização paralela feminina, conhecida como Sociedade Martha Washington, alimentava e vestia os mais necessitados, enquanto buscava apoio e adeptos dentro do próprio sexo.

Em menos de quatro anos da relatada reunião no botequim, o número de Washingtonianos chegava ao máximo.

Nessa época, se estimava que o Movimento incluía, no mínimo 100.000 "alcoólicos recuperados"; 300.000 "bebedores normais" que, também, se mantinham em total abstinência, bem como incontável número de admiradores entre os membros dos Movimentos de Temperança.

Mas logo chegaria ao esquecimento total. Pelo ano de 1848, tudo o que restava da espetacular e poderosa organização como método original de tratamento do alcoolismo, era o Asilo dos Decaídos, em Boston. Essa organização, assim mesmo, sofreu numerosas modificações, no nome e na orientação e, atualmente funciona com o nome de Hospital Washingtoniano, se dedicando ao tratamento do alcoolismo mediante sistemas médicos modernos e técnicas sociais. Nos demais aspectos o Movimento se autodestruiu por completo. Com ele, desapareceu a esperança de milhares de alcoólicos de sua época.Tendo a breve história anterior por exemplo, é possível efetuar uma limitada comparação entre o Movimento Washingtoniano e Alcoólicos Anônimos e, meditar sobre as possibilidades de A.A. ter um destino semelhante.

As semelhanças são as seguintes:

  • Alcoólicos se ajudando mutuamente;
  • Reuniões semanais;
  • Experiência compartilhada;
  • Permanente disponibilidade para ajudar os grupos e seus membros;
  • Confiança em um Poder Superior e,
  • Total abstinência ao álcool.

Embora seja óbvio que o programa dos Washingtonianos fosse incompleto, contendo limitadas possibilidades para a modificação da personalidade se comparado aos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, nasceu da experiência dos que conseguiram a sobriedade; mesmo que por pouco tempo; de milhares de alcoólicos. Porém, falhou em não oferecer um método de conduta, para membros e grupos, que fosse comparável às Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Como não existiam garantia de salvaguarda para o Movimento em seu conjunto, este morreu. A maioria dos problemas dos Washingtonianos se situaram em áreas que estão amplamente protegidas em nossas Tradições:

  • O preâmbulo e nossa 5ª Tradição nos aconselham a proteger nosso único objetivo; a 1ª Tradição nos aconselha cautela, para conservar nossa Unidade. Sem essas orientações, o Movimento Washingtoniano se converteu em um monstro de 3 cabeças: a primeira, o programa para atingir a recuperação dos alcoólicos; a Segunda, o convite ao público em geral para conseguir a temperança através da persuasão moral e, a terceira, a exigência de total temperança nacional pelos meios legais. Homens de enorme influência controlavam a ação de cada uma das cabeças e, não levou muito tempo, as cabeças lutavam entre si.
  • As táticas carnavalescas de promoção e a absoluta falta de qualquer princípio de anonimato criaram uma atmosfera de crescimento espetacular; porém, conduziram ao mesmo tempo, às lutas entre as personalidades que buscavam prestígio e poder. Cem anos depois Alcoólicos Anônimos adotou as 11ª e 12ª Tradições que indicam que devemos basear nossas relações com o público na atração, no lugar da promoção; a manter o anonimato pessoal ao nível da imprensa; a considerar o anonimato como "fundamento espiritual..." que nos recorda que devemos sempre que os princípios estão acima das personalidades.
  • Não há nada que possa pidir um grupo com maior rapidez do que a controvérsia política ou religiosa. A 10ª Tradição diz que: "Alcoólicos Anônimos não tem qualquer opinião sobre assuntos alheios às suas atividades" e que o membro de Alcoólicos Anônimos nunca deve envolver-se em polêmicas públicas. Sem possuir esta Tradição, os Washingtonianos ingressaram nesse campo. Chegou ao conhecimento de alguns líderes religiosos que, alguns alcoólicos recuperados, proclamavam publicamente que, "eles, entre outras coisas, é que estavam praticando verdadeiramente o Cristianismo, não alguns pastores que conheciam e que apenas falavam em Cristo". Em represália o Reverendo Hiram Mattison, ministro da Igreja Metodista Episcopal de Watertown, N.Y., tornou pública a seguinte comunicação: - "Nenhum cristão tem liberdade para selecionar ou adotar algum sistema, organização, agência ou métodos de reforma moral da humanidade, com exceção daqueles prescritos e reconhecidos por Jesus Cristo".
    Acrescentava que sua igreja havia sido escolhida junto com o seu Evangelho, como o sistema da verdade e único para reformar a humanidade. Isto era a guerra. Outras igrejas reagiram da mesma forma, até fecharem suas portas aos Grupos Washingtonianos.
  • E como se esse fato grave fosse pouco, alguns membros do Movimento se tornaram oradores profissionais, por não contar com a orientação de uma 8ª Tradição. Dessa forma, sua mensagem de "alcoólico para alcoólico", perdeu toda força de atração.

O ponto final da destruição aconteceu quando, alguns influentes líderes de movimentos não-alcoólicos, decidiram que a necessidade de os ex-bebedores recuperarem outros alcoólicos já havia sido Ultrapassada e, agora, se deveria concentrar todo esforço na criação de novas leis destinadas a promover a temperança. Enquanto efetuava as investigações para escrever este artigo, várias vezes me ocorreu o seguinte pensamento: - "Depois que os Washingtonianos se autodestruíram, o que teria ocorrido com os seus milhares de membros?" E, esse pensamento se converteu numa indagação pessoal: - "O que aconteceria comigo?"

Durante os primeiros tempos do programa, especialmente antes de elaboradas as Doze Tradições, Alcoólicos Anônimos passou por muitos dos problemas que destruíram os Washingtonianos. O fato de havermos sobrevivido aos mesmos perigos, é um dos milagres de Alcoólicos Anônimos.

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